RADIO
Participação da Dr.ª Teresa Leonardo em programas de rádio
Saúde em Dia, na Rádio Sim
Os quatro programas reunidos nesta página foram emitidos em Setembro de 2015 no espaço Saúde em Dia da Rádio Sim. Os temas dos quatro têm em comum a segunda metade da vida: envelhecer, adoecer, ficar sem o dia ocupado e ver a família mudar de forma são quatro das preocupações que mais aparecem numa consulta de Psiquiatria nessa fase da vida, e nenhuma delas se resolve dizendo que é da idade.
Nenhum dos quatro passa dos oito minutos, e podem ser ouvidos aqui sem sair da página.
Os temas de cada emissão
Demência. A demência não é uma consequência normal de envelhecer. É um conjunto de doenças — a doença de Alzheimer é a mais frequente — em que a memória, a linguagem, a orientação e a capacidade de decidir se degradam de forma progressiva. Os primeiros sinais confundem-se facilmente com distracção ou cansaço: repetir a mesma pergunta ao fim de poucos minutos, perder-se num percurso conhecido, deixar de conseguir gerir as contas ou a medicação, mudar de feitio sem motivo aparente. Uma avaliação atempada não devolve o que já se perdeu, mas permite excluir causas tratáveis que imitam a demência, tratar o que é tratável, e planear enquanto a pessoa ainda pode participar nas decisões que lhe dizem respeito.
Depressão no idoso e risco de suicídio. A depressão em idade avançada é das mais subdiagnosticadas, porque quase nunca se apresenta como tristeza declarada. Aparece como dores sem explicação, insónia, perda de apetite, queixas de memória, irritabilidade, ou como um desinteresse por tudo aquilo que antes ocupava os dias. Como esses sinais são atribuídos à idade, ao luto ou à doença física que os acompanha, o tratamento chega tarde ou não chega de todo. É uma confusão com consequências: o risco de suicídio é reconhecidamente elevado nesta faixa etária e os avisos que o precedem são discretos, muitas vezes uma frase dita de passagem. A depressão do idoso trata-se, e a resposta ao tratamento é comparável à de qualquer outra idade.
Depois da reforma. A reforma retira de uma só vez três coisas: a estrutura do dia, o convívio que vinha com o trabalho e uma parte considerável da identidade de quem sempre foi descrito pelo que fazia. Há quem atravesse a mudança sem dificuldade nenhuma. E há quem, passados alguns meses, se veja sem horário, sem interlocutores e sem propósito — e o que aparece a seguir costuma ser insónia, irritabilidade, aumento do consumo de álcool ou humor deprimido, num momento em que toda a gente à volta acha que finalmente se está a descansar. Preparar a mudança antes da data ajuda mais do que qualquer conselho depois dela.
Mudanças da estrutura familiar e crise económica. Os anos da crise reorganizaram muitas casas portuguesas: filhos adultos que voltaram para casa dos pais, avós a sustentar netos com a sua reforma, famílias separadas pela emigração de um dos seus. A dificuldade financeira e a incerteza quanto ao futuro estão entre os factores de stress mais estudados em saúde mental, e o seu efeito não se distribui por igual — recai sobre quem já era mais vulnerável: o idoso dependente, o doente crónico, a criança que assiste a tudo sem que ninguém lhe explique nada.
Estas gravações são de 2015 e destinam-se a informação geral: não substituem uma avaliação clínica. Para marcar uma consulta, os contactos estão na página de Contactos.